
Título em português: Louca Obsessão / Título original: Misery / Ano: 1990 / Direção: Rob Reiner
Gênero: Horror / Thriller / Suspense / Elenco: James Caan, Kathy Bates, Richard Farnsworth, Frances Sternhagen, Lauren Bacall, Graham Jarvis
"Misery" não é só o ponto chave da carreira da Kathy Bates, fundamental para a elevação de seu status ao topo, como uma das obras mais influentes para o gênero de suspense em sua época, uma aula de direção e cinematografia e um exemplar cristalino de como fazer um bom thriller que desperta a ansiedade do telespectador até ele roer as unhas.
O diretor era o até então pouco atuante Rob Reiner, filho do lendário Carl Reiner. Rob possuía um histórico interessante, mas um acerto particularmente notável era o na aventura dramática "Conta Comigo" de 1986 que obteve uma grande aprovação da crítica e aceitação do público. Pontuável também "O Panaca" de 1979 com Steve Martin, sublime comédia.
O roteiro de "Louca Obsessão" conta a história do escritor Paul Sheldon (Caan), que à rumo do Colorado logo após ter completado seu livro, sofre um acidente de carro na neve mas é resgatado pela enfermeira Annie Wilkes (Bates) que se auto intitula a fã número 1 de Sheldon. Rapidamente os dois estabelecem um vínculo emocional forte, já que se veem por dias inteiros. Porém após crises e surtos violentos de Annie, Sheldon começa a questionar a saúde mental da mulher que está lhe cuidando.
| Annie cuidando do enfermo Sheldon. |
A apresentação do duplo temperamento de Annie é bruta porém bem compassada. Demora relativo bom tempo para tudo ser "mastigado" corretamente pelo telespectador.
Todas as cenas que envolvem a duplicidade de Annie são bastante bem feitas, tanto as em que ela demonstra crueldade e mania (as que possuem um horror natural nelas) quanto as em que ela é dócil e adorável, onde Kathy Bates consegue gelar a espinha do público com sua aparente imprevisibilidade total.
O relacionamento de Sheldon e Wilkes também é muito bem pensado. Sheldon odeia Annie, mas mascara isso com agrados e comentários lisonjeiros, e é muito convincente nisso. Mal pude conter meu pensamento de que ele estava, à partir de um certo momento, começando a apreciar tudo aquilo. Não gostaria que me levassem à mal, pois seria uma abordagem muito interessante da síndrome de Estocolmo. O protagonista, entretanto, trata de selar todas as dúvidas sobre a opinião dele de Annie no clímax do filme,
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| Um dos vários "close-up" no rosto de Kathy Bates ao longo do filme. |
Já a visão de Wilkes sobre Sheldon é um ponto um tanto quanto mais complexo de ser analisado. Wilkes parece amar mais a obra de Sheldon que o próprio, mesmo que o ame também e se sinta reprimida pelo mesmo por sua má aparência, como ela revela em uma das cenas. Porém Annie é extremamente cínica e agressiva com Sheldon quando vê que suas investidas não estão levando à lugar algum e isso me leva à crer fortemente que não é apenas admiração que ela nutre por Paul.
Buster (Farnsworth) é um personagem fútil, porém que proporciona algumas ótimas cenas no filme. No entanto, ainda acredito que ele poderia ter sido melhor desenvolvido. A forma como ele associa crimes de um passado distante à Annie e à Sheldon são bem "chifrin", uma bola fora da narrativa do filme que é bem coesa na maior parte do tempo.
A trilha sonora é interessante e pontual, mas um pouco genérica demais.
O clímax é persistente e intenso, de deixar de queixo caído, uma boa maneira de finalizar o filme tão bem.
Enfim, "Louca Obsessão" é o thriller ideal: uma história bacana, grandes atuações, ação, suspense e horror em doses altíssimas. Um espetáculo.
ENREDO: 3,5/5
ATUAÇÕES: 4,5/5
DIREÇÃO: 4,5/5
CINEMATOGRAFIA: 5/5
NOTA GERAL: 4,5/5



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